Resgatango

Grandes ídolos do tango se apresentam hoje e amanhã em Porto Alegre

Chamar a turma do Café de los Maestros de Buena Vista do tango pode ajudar a explicar, mas não é a definição mais adequada para o projeto que reúne veteranos ídolos tangueros em plena atividade. Alguns deles estarão em Porto Alegre, no palco do Teatro do Bourbon Country, hoje e amanhã, às 21h (veja informação sobre ingressos no Guia hagah): os cantores Alberto Podestá e Juan Carlos Godoy, o violinista Fernando Suárez Paz, o bandeonista Leopoldo Federico, o violonista Aníbal Arias e o pianista Osvaldo Requena.

O documentário Buena Vista Social Club – realizado em 1999 pelo cineasta alemão Wim Wenders, com ajuda do músico americano Ry Cooder – revelou ao mundo estrelas da antiga música cubana. Café de los Maestros também ganhou seu próprio filme, exibido com sucesso na Capital. Seu diretor, Miguel Kohan, não era conhecido, mas o projeto teve como farol o argentino Gustavo Santaolalla, compositor duas vezes ganhador do Oscar.

Foi Santaolalla quem reuniu os músicos em Buenos Aires, em 2003, para um encontro que resultou em dois discos, filme, livro, um histórico espetáculo no Teatro Colón e este show que corre o mundo. Se ambas as iniciativas têm o tom do tributo à velha guarda, o que brota em Café de los Maestros é menos o tom arqueológico e mais o de celebração entre amigos.

– Geralmente só se presta tributo aos mortos. Este projeto é importante porque celebra artistas que estão vivos e em plena atividade – diz, em meio a um ensaio em Buenos Aires, Fernando Suárez Paz, 67 anos, um dos destaques do coletivo portenho. – O Café de los Maestros é uma grande família. Mas uma família em que todos se dão bem (risos).

O currículo de Suárez Paz é riquíssimo. Com formação erudita, integrou a Orquestra Sinfônica Nacional da Argentina e a Filarmônica de Buenos Aires. Apaixonado por tango, fez parte de formações clássicas como as de Aníbal Troilo e Juan D’Arienzo. Por uma década, esteve no célebre quinteto de Astor Piazzolla, com quem gravou 18 discos – como prova de admiração, Piazzolla compôs para o amigo o tema Escualo.

– Nosso repertório traz tangos tradicionais dos anos 1930 e 1940, temas instrumentais e canções que representam as quatro escolas mais conhecidas do tango: de Aníbal Troilo, de Osvaldo Pugliese, de Juan D’Arienzo e de Carlos Di Sarli – diz Suárez Paz. – É um repertório que está sendo redescoberto no Exterior, que ainda tem como referências maiores do tango as figuras de Gardel e Piazzolla.

Sobre a onda de renovação do tango, que adiciona ao gênero elementos da música eletrônica e que tem em Gustavo Santaolalla e seu Bajofondo um dos expoentes, Suárez Paz, que também é maestro e arranjador garante:

– Não se pode renovar o tango, explorar seu limites, sem saber a fundo o tango tradicional, a base de tudo. O próprio Piazzolla reconhecia isso e sempre valorizou seu aprendizado com a orquestra de Aníbal Troilo.

O espetáculo tem patrocínio de Zaffari e Tramontina, com promoção do Clube do Assinante ZH e da Itapema FM e apoio de Zero Hora 45 anos.
 

MARCELO PERRONE

24 de julho de 2009 | N° 16040 - FONTE ZERO HORA

 

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