O Tchan do Sarau

Projeto de livro e edição comemorativa hoje à noite, no bar Ocidente, marcam os 10 anos do Sarau Elétrico

Era uma vez uma menina baiana chamada Carla Perez. Fã do É o Tchan, ela ia religiosamente a todos os shows da banda de axé music. Descia até o chão com tanta desenvoltura ali no gargarejo que acabou chamando a atenção de Beto Jamaica, Compadre Washington e Jacaré. Quando, numa grande sacada, os três vislumbraram o impacto que poderia causar a presença de uma dançarina loira posicionada ao lado da morena recém-efetivada pelo grupo, não resistiram: chamaram-na a subir ao palco.

A história, lembrada com bom humor pela escritora Claudia Tajes, é praticamente a mesma da sua entrada no elenco fixo do Sarau Elétrico – ela era espectadora até ser convidada a substituir o músico Frank Jorge na composição desse elenco, que também tem a apresentadora Kátia Suman e os professores Cláudio Moreno e Luís Augusto Fischer. A diferença? Kátia, Moreno e Fischer não são Beto Jamaica, Compadre Washington e Jacaré. E Claudia, embora ainda não tenha dado ao público o privilégio de vê-la dançar na canja que tradicionalmente encerra o sarau, é bem mais talentosa que Carla Perez.

Quem já foi ao bar Ocidente nas noites de terça, quando o quarteto – religiosamente – sobe ao palco ao lado de um convidado especial para compartilhar com o público algumas leituras selecionadas, sabe muito bem: o papo no Sarau Elétrico pode ser sobre os livros, mas é a descontração com que eles são apresentados a característica mais marcante do projeto.

– Às vezes sobra erudição nas intervenções do Fischer e do Moreno, mas as pessoas absorvem o que eles dizem naquele clima de bar, tomando uma cervejinha – observa Kátia. – Essa sempre foi a ideia, desde 1999, quando convidei o Fischer e o Frank para o primeiro sarau.

O Sarau Elétrico está completando 10 anos. Como é realizado semanalmente, já soma algumas centenas de edições. Mais que isso, estabeleceu-se como um dos hits da programação cultural de Porto Alegre – um feito em se tratando de um projeto literário.

– O que é legal é que nesse período o público foi se modificando. Há frequentadores habituais, mas costumo perguntar se no público há alguém ali pela primeira vez. E a resposta é quase sempre positiva – conta Kátia. – Outra coisa muito legal é constatar que há gente de fora de Porto Alegre na plateia. Gente trazida por porto-alegrenses como que para mostrar algo legal que existe na cidade.

A história do evento e a forma como ele foi se afirmando entre as atrações da Capital pode virar livro. A edição já conta com a aprovação da Lei Rouanet, explica a mentora do sarau, que agora está atrás de patrocínio para a publicação. Deverá trazer ainda textos inéditos dos participantes, fotos de Cynthia Vanzella, “a fotógrafa oficial do Sarau Elétrico”, e reproduções de leituras que se tornaram clássicas, às quais Kátia, Claudia, Fischer e Moreno costumam voltar.

Quer saber quais são essas leituras? Passa lá no Ocidente hoje, às 21h. Na edição Grandes Lembranças, Melhores Leituras, que celebra o aniversário, o quarteto recebe Frank Jorge e relembra justamente os textos que renderam os melhores momentos destes 10 anos. Entre eles Sildenafil, que além de ser o nome científico do medicamento Viagra é o título de um conto de Reinaldo Moraes que será lido com aquele tchan que os integrantes do Sarau Elétrico têm.

 

DANIEL FEIX

28 de julho de 2009 | N° 16045 - Fonte Zero Hora

 

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